Slow Fashion & Beauty, Team Fashion for Better

Como a moda salvou a Itália

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Como a moda salvou a Itália

“Made in Italy”. Essas três palavrinhas são hoje uma espécie de resumo daquilo que é bonito e bem feito no mundo da moda. Sintetizam excelência industrial, tradição cultural e manufatura, itens que foram fundamentais para fazer com que marcas como Gucci, Valentino, Prada, Zegna e muitas outras não só se tornassem gigantes mundiais, como também ajudassem a reconstruir todo um país.

Desde o Renascimento, a moda na Itália era referencia internacional. Cidades como Milão, Florença ou Vicenza ganharam fama produzindo sapatos, chapéus e jóias com ricos materiais e artesanatos. Mas o país perdeu o compasso e viu a França assumir, ainda nos tempos do Rei Sol Luis XIV, no século XVII, uma dianteira que perdurou até a metade do século XX.

Com o país arrasado pela Segunda Guerra, os italianos perceberam que havia toda uma oportunidade de recuperação econômica dando sopa na indústria da moda, cujo sistema de produção e consumo era baseado em diferentes tradições regionais: a  alta costura romana, a alfaiataria masculina de Napoles, as butiques de Florença. Moda, arte, turismo, gastronomia começaram a conversar e a se promover reciprocamente. Os resultados vieram logo. Nos anos 50, casas como a Gucci e Salvatore Ferragamo já competiam ombro a ombro com as francesas Dior e Chanel. Nos dias de hoje a indústria da moda movimenta no país anualmente cerca de 74 bilhões de euros.

Enfrentando a  concorrência de pólos como Paris, Nova Yok, Londres e Tokyo nos calcanhares, a moda italiana sabe que a todo tempo precisa se reinventar. Com o consumo cada vez maior em todas as classes sociais e os produtos de luxo cada vez mais acessíveis, uma tendência que tem sido cuidadosamente observada é a da mudança nos critérios de muitos consumidores. As compras passaram a ser mais regradas, e o ato de adquirir uma peça tornou-se mais pensado, focando em mais qualidade e menos quantidade. A sustentabilidade passou então a ser considerada internacionalmente uma das mais inovadoras fronteiras do luxo.

Existem inúmeras maneiras de melhor confeccionar e vender roupas gerando crescimento econômico e não senzalas fashion em país remotos do Terceiro Mundo.  A Ermeneglido Zegna, por exemplo, uma histórica empresa têxtil fundada nos 1920, investe hoje numa rede global de criadores com os quais estabeleceu acordos comerciais e produtivos, para estimular o desenvolvimento da qualidade de sua lã.

Foi nesse sentido que lançamos no Brasil o Fashion for Better,  um movimento que nasceu com o propósito de garantir a procedência de mão de obra para consumidores que desejam, mais do que investir em produtos de boa qualidade, usar seu poder aquisitivo para  contribuir por um mundo melhor.