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GUCCI Otimismo Sustentável, por Dani Mollo

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GUCCI Otimismo Sustentável, por Dani Mollo

Gucci é uma grife de origem italiana com quase um século de atividade. Foi fundada por Guccio Gucci em Florença em 1921. O sócio majoritário da empresa é a holding francesa Kering, que detém marcas como Stella Maccartney, Boucheron. Bottega Veneta, Balenciaga e Saint Laurent.

Como outras grandes marcas, a Gucci começou com a fabricação de peças de couro feitas artesanalmente pela família. De modo artesanal e muito bem supervisionada também é a técnica de envergar o bambu para que se torne alça de alguns modelos de bolsa.

Com a entrada de Tom Ford nos anos 90, a marca ganhou um novo look, popularizando a marca em todo o mundo e conseguiu sair de uma grave crise. Em 2015, sucedendo Frida Giannini, e com a total e absoluta aprovação de Marco Bizzarri CEO da grife, Alessandro Michele assumiu a direção artística da Gucci. E a partir daí a marca experimentou uma verdadeira revolução que fez com que crescesse significativos 46% em 2017.

Alessandro Michele, de 45 anos, estudou na Accademia di Costume e di Moda em Roma e foi designer sênior de acessórios da Fendi, onde trabalhou com Frida. Ele se juntou à equipe de design da Gucci em 2002 e foi promovido junto com ela em maio de 2011. Em setembro de 2014, ele também foi nomeado diretor criativo da marca de porcelanas finas Richard Ginori, adquirida pela Gucci em junho de 2013.

E o que essa dupla, Marco e Alessandro fez de diferente para conseguir lucrar tanto nesse ano e chamar a atenção de gerações que achavam que a Gucci era uma “marca de velho”.

OUSARAM !!!

“O grande risco na moda é não tomar riscos, porque sem eles, na moda, você morre.”

 

Os retoques na herança, palavra cara às marcas de luxo e perseguida com a manutenção de logos e acessórios centenários, foram pontos decisivos na nova gestão, então ao invés de replicar padrões antigos, a dupla mexeu nas estruturas do produto e fez parcerias. Nesse caso, com um detrator. O grafiteiro Trouble Andrew, que pichava a logo da marca em prédios e outdoors, foi contratado para intervir nas criações de Michele. Trevor “Trouble”Andrew foi snowboarder olímpico e adquiriu uma paixão obsessiva pela marca depois de ficar alucinado por um relógio que comprou com seu primeiro contra-cheque.

Utilizando latas de spray e canetas Poscan grafitava pelas ruas de Nova Iorque sua visão pessoal do mundo Gucci. Acabou fazendo um tremendo sucesso nas redes socias até que a marca, ao invés de processá-lo, como seria do feitio anos atrás, acabou incorporando esse espírito livre de Trevor em algumas criações.

Sucesso imediato, a coleção com a colaboração de Trevor, a Gucci Ghost virou símbolo de como, de acordo com Marco Bizzarri, é importante para uma marca “aceitar que o trabalho de criação não é só você que impõe, mas também o que as pessoas acham de você”.

Nessa nova onda e visão, algumas marcas, preocupadas em não perder a nova geração de consumidores, inovou. Então, por exemplo, quando poderíamos imaginar a que a tradicionalíssima Tiffany & Co faria coleções com a polêmica Lady Gaga e com Zoe Krawitz? Que a francesa Hermes colocaria um container na rua expondo seu lindos lenços de seda. Que a Chanel nomeasse embaixatriz da marca uma adolescente, atriz e cantora filha de um astro de Hollywood, Willow Smith cujo irmão Jaden estrelou a campanha de uma coleção feminina da Louis Vuitton, dizendo que não se apega a definições de gênero em se tratando de roupas.

E a Gucci, depois da entrada de Alessandro Michele unificou os desfiles feminino e masculino, coroando isso durante um desfile em 2016.

Toda essa nova visão atual aliada a nova realidade do mundo junto a estratégia de participar de e-commerces como a Farfecth, parcerias com celebridades como Beyonce e uma publicidade focada em histórias otimistas e não em produtos foram fundamentais para o sucesso atual da marca.

Mas não menos importante do que tudo isso, veio uma notícia, que há tempos atrás acharíamos, no mínimo, estranha. A Gucci anunciou que 2017 foi seu último ano de vendas de peles, juntando-se a um grupo cada vez maior de grifes que estão em busca de alternativas devido à pressão de ativistas de direitos dos animais e às mudanças de gosto dos consumidores.

E apesar dos muitos euros ganhos na venda de peles, a marca, sintonizada a novos consumidores mais conscientes, está buscando alternativas e se unindo a empresas que não usam mais peles.

E não é só isso, sobre o aspecto ambiental, a marca já conseguiu conter o uso de água e o desperdício de suprimentos em sua produção.

E a beleza disso tudo culmina quando Marco Bizzarri diz que um projeto para criar couro biológico, feito a partir de extratos da natureza, está no radar e nos investimentos da marca.

Aqui no Brasil, já temos há anos projetos que incentivam a fabricação desse tipo de couro, como por exemplo, o financiado pelo USAID em 2001 que envolveu pequenos produtores da região do Tapajós investindo na confecção de bolsas e artefatos feitos a partir do látex.

O couro ecológico é um ótimo produto e que, para ser produzido, danifica muito pouco o meio em que vivemos. O verdadeiro couro ecológico é desenvolvido a partir da tecnologia dos encauchados, caracterizada pela técnica de impermeabilização de uma série de produtos para uso local. Este processo ficou famoso através da marca Treetap, também já foi utilizado em coleções da Louis Vuitton. O couro ecológico feito à base de borracha das seringueiras é considerado um pouco grudento, isso deve-se ao procedimento de vulcanização natural da borracha, que leva tempo, e pode não ter sido completa antes da comercialização do produto. A sua fabricação pode ser dada de diferentes formas, mas o importante é que sigam as normas de respeito à natureza, utilizando materiais que eliminem poucos poluentes ao meio ambiente.

O couro ecológico é mais macio e maleável. Para um extrativismo sustentável da borracha, foram criadas inovações tecnológicas que eliminam processos intermediários, a insalubridade dos métodos tradicionais, o consumo excessivo de água e eletricidade.

A produção do produto gerou um aumento de renda dos seringueiros, o assentamento humano e uma maior preservação da floresta e do recurso natural, permitindo uma melhoria na qualidade de vida dos moradores da região.

Imaginar que uma empresa do porte da Gucci, pode contribuir ainda mais para que essa produção aumente e seu produto seja usado em sua linha é um sonho!!

Como alternativa ao couro tradicional, tem-se usado também o couro de tilápia que pode ser chamado de ecológico. Além da diferenciação e inovação, o couro do peixe apresenta muita resistência à tração e ao rasgamento, uma vez que suas fibras são naturalmente entrelaçadas. Essa alternativa é aliada ao processo ecológico na produção.

Os processos industriais que envolvem a transformação da pele de peixe em couro, quando em acordo com os critérios da sustentabilidade, promovem a inovação e incrementam o design de produtos sustentáveis. As técnicas produtivas do couro de peixe têm avançado, fundamentando-se nas exigências estético-culturais e técnico-econômicas, bem como nos valores humanos e ao meio ambiente.

Mas há uma controvérsia, alguns produtores de couro tradicional, dizem que a palavra “couro” é para denominar apenas aquele material oriundo de animais.

Controvérsias a parte, o que todos nós que moramos no Planeta Terra devemos estar de acordo é que, se não abrirmos a cabeça para alternativas de uso e produção de materiais sustentáveis estaremos fadados a uma escassez de material e a uma série de problemas decorrentes de uma exploração sem preocupação com as consequências ruins para a Natureza.

A substituição do uso do couro de curtumes pelo ecológico não será feita do dia para a noite. O couro brasileiro tem muita qualidade e ainda é muito exportado como, por exemplo, para a Espanha e França, mas saber que o CEO da Gucci não se fecha a essa possibilidade, nos dá a esperança de que uma conscientização e um ouvido aberto ao consumidor mais consciente já é um bom exemplo e um estímulo para as marcas, pelo menos, pensarem a respeito.

 

Fontes:
www.wikipedia.com
www.sfagro.uol.com.br
www.odmbrasil.gov.br
www.couroecologico.com.br
www.gucci.com
www.1folha.uol.com.br