Consumo consciente & Slow fashion, Team Fashion for Better

Instalação de pilhas de roupas usadas na vitrine da Harrods por “Vetements”.

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Instalação de pilhas de roupas usadas na vitrine da Harrods por “Vetements”.

“Vetements”, grife descoladíssima de luxo transforma a vitrine da Harrods em uma pilha de roupas doadas. E você consegue imaginar para que serve esta instalação tão moderna em uma das lojas de departamento mais luxuosa e bem localizada do planeta?

Demma Gvasalia, estilista consagrado da marca, realçou em sua entrevista, poucos minutos antes de seu último desfile durante a semana de moda mais badalada entre os fashionistas de Avangard, a London Fashion Week, que suas coleções sempre começam em uma loja vintage pelo mundo afora onde ele estuda, recria, renova e comunica novas soluções para a indústria, se intitulando como “comunicador assumido do consumo consciente”.

É importante dizer para quem não conhece a marca “Vetements” que ela foi criada por um agrupo de estilistas na França há 4 anos atrás inspirados na moda nos guetos de Paris e Berlin com uma excelente comunicação que engloba moda, arte e música em suas silhuetas e matérias primas alternativas.

Para comunicar ao consumidor final internacional o quanto a indústria do fast-fashion polui e ao mesmo tempo mata a pouca mão de obra qualificada que nos resta, Gvasalia criou uma vitrine inédita com uma instalação de arte com pilhas e mais pilhas de roupas doadas pelos próprios clientes e turistas da Harrods.
Em sua entrevista a respeito da vitrine comunicou que nesta sociedade tão corrompida é importantíssimo que os estilistas consagrados de luxo façam a sua parte informando o que realmente está por traz do consumo desenfreado do fast-fashion e suas consequências ambientais e sociais.

Esta comunicação de arte onde nossas roupas usadas falam não ficará somente em Londres, mas viajará por mais 50 destinos começando por Los Angeles nos Estados Unidos na loja descoladíssima Maxfield e na loja de departamento de luxo mais tradicional da América do Norte a Saks Fifth Avenue.
A ideia desta campanha de marketing da marca “Vetements” é envolver o consumidor final no processo da formatação da marca juntos as ONG´s e Instituições locais. Todas as roupas coletadas na campanha das instalações das vitrines serão comercializadas e a arrecadação das vendas serão doadas. Hoje qualquer marca que queira permanecer no mercado precisa contribuir na sociedade. O novo consumidor da geração dos Apps de compartilhamento se questiona em tudo, principalmente para que serve esta marca? Design, qualidade e serviços não são mais suficientes para que um consumidor fique fiel à uma marca.

E sem ter um consumidor fiel uma marca não pode crescer e se projetar em uma fatia dos três trilhões de dólares que a indústria da moda gira.

Você sabia que 1 em cada 6 seres humanos trabalham na indústria da moda?

Você sabia que a maior parte destes trabalhadores por traz das grandes marcas mundiais ganham menos que três dólares por dia?

Você sabia que quase 80% dos trabalhadores na indústria da moda sao mulheres?

Vocês já assistiram o documentário “The true cost” na Netflix? Ou já ouviram falar do movimento chamado “Fashion Revolution“ com o hashtag #whomademyclothes #quemfezaminharoupa.
Pois é, sugiro que assista.

Gvasalia, você está de parabéns em levantar a bandeira do: “Compre menos, Compre bem! ”.
A tua instalação de pilhas de roupas usadas como manifesto nas 50 vitrines de moda mais badaladas do planeta farão a diferença à nossa indústria que está massacrada por uma comunicação enganosa. Você é valente em expor os seus ideais mesmo sabendo que pode perder o seu lugar como estilista da marca.

O bacana é saber que Gvasalia não é o único no mercado de luxo que está fazendo o bem em seu nicho de mercado. “A National Society for Prevention of Cruelty to Children” agradece toda a arrecadação das vendas destas roupas doadas para a vitrine da Harrods, assim como a “Ellen MacArthur Foundation” agradece a sua parceria que a estilista amada por todos os consumidores de moda consciente – Stella McCartney – onde clamam e realizam novas práticas fabris para minimizar o grande desperdício e lixo que a indústria da moda gera.

Para que o nosso planeta não vire um grande lixo de roupas de fibras sintéticas é necessário investir em novas tecnologias de reciclagem, coletagem e novas ideias de aterros. E aí jovens de startups, vamos criar novas soluções?
E vocês políticos e investidores, vamos investir nestas novas cabeças que trazem estas soluções?

Precisamos reciclar pelo menos 50% do que é jogado fora dos nossos armários, dos estoques das lojas, das sobras de tecidos da indústria de confecção, re-ultizar tecidos que não foram comercializados nas últimas coleções e que estão mofando em seus estoques. Precisamos repensar e incentivar criações vindas do upcycling; roupas já existentes novas e seminovas; e do recycling; recriar fios e tecidos de roupas usadas.

A cadeia da moda precisa se unir para juntos fazermos a diferença e é por isso que criamos o movimento “Fashion for better”.
Venha você fazer parte da nossa divulgação, criação, produção e comercialização. Seja um #juntossomosmaisF4B.

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