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Mais empregos, maior desempenho

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Mais empregos, maior desempenho

Você sabia? O artesanato é hoje o segundo maior empregador do mundo atrás da agricultura.  Nos países em desenvolvimento, milhões e milhões de pessoas _ a maioria mulheres _  participam da economia artesanal, praticando artesanato tradicional como meio de garantir sua subsistência.  Nesse cenário, porém, o Brasil anda perdendo o passo em relação aos nossos principais competidores internacionais.

 

Tomemos como exemplo o setor de calçados, onde nada menos que 70% da produção é feita fora da indústria, em ateliês quase sempre terceirizados.  Uma fábrica que produza hoje dois mil pares por dia, gera empregos para cerca de 500 pessoas, em um processo sofisticado que envolve 52 etapas até o sapato chegar na caixa. Mas a falta de investimentos, gerada  pela saída dos grandes players internacionais que buscavam em nosso país sapatos de preços baixos e não de valor agregado, levou o Brasil a perder para a China a posição de maior exportador de sapatos do mundo.  Hoje, dois de cada três sapatos vendidos no mundo foram produzidos pelos chineses.

Nos últimos três anos, o setor de calçados vem enfrentando uma crise que encolheu a produção em mais de 10%. Somente no ano passado, as vendas no comércio interno caíram 16%.  E o desempenho do varejo depende fundamentalmente da geração de empregos. Com faturamento de R$ 20 bilhões, a indústria emprega hoje 300 mil trabalhadores, enquanto seu patamar histórico era de 350 mil postos de trabalho.  Para retomar essa posição é preciso voltar a produzir um bilhão de pares por ano, mas hoje o volume total brasileiro não ultrapassa os 800 milhões de pares.

Diversos são os problemas que retiram a competividade de quem fabrica em nosso país. O chamado “Custo Brasil” envolve uma elevada carga tributária, juros altos, preços elevados de matérias-primas, e deficiências na estrutura logística,  que estão entre os principais fatores que impedem os investimentos em tecnologia fundamentais para enfrentar a concorrência internacional. O apoio do governo é mais do que necessário para reverter esse quadro, por meio de medidas de incentivo: como a redução do ICMS não só para as compras do artesanato, como também para os investimentos no aprimoramento tecnológico das fábricas, além da redução do ICMS sobre o produto acabado.

Minas Gerais saiu na frente na defesa de suas indústrias.  Em 2015 o estado anunciou medidas de incentivo para as indústrias do Arranjo Produtivo Local (APL) de Calçado de Nova Serrana, no centro-oeste do Estado, obtendo resultados expressivos. Nesta região, são produzidos cerca de 105 milhões de pares de sapatos femininos, masculinos e infantis por ano, gerando 40 mil empregos diretos e indiretos.  O estado de São Paulo, que já respondeu por mais de 50% da indústria do sapato no Brasil, tem hoje sua participação reduzida a 21% do setor.  A ajuda do governo, neste momento delicado de nossa economia, é fundamental para que cidades como Franca, Jaú e Birigui voltem a ocupar a posição que já ocuparam dentro do cenário nacional.