Empoderamento feminino, por Emmanuelle Tonani

Must be: formadoras de opinão que fazem a diferença.

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Must be: formadoras de opinão que fazem a diferença.

No último domingo um grande movimento contra abusos e assédios sexuais foi o foco na premiação Golden Globes. Profissionais do cinema de Hollywood decidiram vestir-se de preto em uma demonstração de solidariedade à vítimas e durante diversos momentos em fortes discursos, fortaleceram seus propósitos.

O discurso de aceitação de Oprah Winfrey foi o mais acalorado e compartilhado nas mídias sociais, com sua mensagem impactante de suporte: “contar a verdade é a ferramenta mais poderosa que temos. Me sinto especialmente orgulhosa e inspirada por todas as mulheres que se sentiram fortes e empoderadas o suficiente para falar abertamente e compartilhar suas histórias pessoais. Durante muito tempo, as mulheres não foram ouvidas ou não se acreditaram nelas quando ousaram contar a verdade sobre esses homens poderosos. Mas o tempo deles acabou.”

Além das roupas pretas e discursos, 8 atrizes foram acompanhadas por ativistas das causas de igualdade de gênero e racial. Elas representam organizações que combatem abusos, exploração, violência doméstica, discriminação, casamentos forçados e desigualdade contra mulheres. Buscam mudanças nas leis e proteção universal dos direitos, através de todas as indústrias e comunidades, para que mulheres possam viver e trabalhar com dignidade. O objetivo é conectar, resistir e amplificar as vozes caladas das mulheres marginalizadas para que sejam sejam ouvidas e amparadas.

Uma das ativistas é Tarana Burke, fundadora do movimento #MeToo, na qual incentiva a relatar assédios, escrevendo a hashtag. Celebridades como Lady Gaga além de milhões de pessoas compartilharam suas histórias no ano passado, após diversas atrizes e atores decidirem abrir o jogo e contar seus casos de abusos com diretores e astros poderosos de Hollywood como o produtor Harvey Weinstein, acusado por mais de 30 mulheres, entre elas Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e Cara Delevingne. Em seguida uma série de revelações começaram a surgir, algumas muito antigas, como o caso do ator Anthony Rapp, quando aos 14 anos de idade foi assediado por Kevin Spacey, há 30 anos, levando à Netflix não apenas demitir Spacey, mas cancelar uma de suas mais populares séries, a House of Cards.

Em solidariedade às vítimas dos abusos no mundo do cinema, a Aliança Nacional de Campesinas (a Aliança Nacional de Camponesas nos EUA), enviou uma carta assinada por mais de 700.000 mulheres trabalhadoras rurais. Na carta, as mulheres se dizem com tristeza mas não surpresas com os acontecimentos, pois têm experiências de abusos e violência similares nos seus ambientes de trabalho, ocasionado “por pessoas que têm o poder de contratar, demitir e ameaçar nossa segurança econômica, física e emocional. Nesses momentos de desespero, no qual vocês enfrentam criticismo porque decidiram bravamente escolher se abrirem sobre os atos que foram cometidos contra vocês, por favor saibam que vocês não estão sozinhas. Nós acreditamos e estamos com vocês”, diz a carta.

Em resposta a essa carta surgiu o movimento TIME’S UP, que organizou a manifestação durante o Golden Globes e é apoiada por 300 mulheres profissionais de cinema, televisão e teatro. A organização pede uma chamada unificada para mudança, das mulheres do mundo do entretenimento para mulheres em todos os lugares, educando com relação aos direitos, conectando às organizações que promovem ajuda e subsidiando a defesa legal das vítimas. O fundo de 13 milhões de dólares aceita doações e vende produtos, dos quais 100% da renda vão para ajudar a defesa das mulheres menos privilegiadas. Buscam também mudança na legislação para penalizar as empresas que toleram assédios constantes e permitem o silenciamento das vítimas, entre outros fins.

As atrizes, escritoras e produtoras reconhecem que seu acesso à plataformas de comunicação deve amplificar a mensagem de luta contra a desigualdade e abusos, e decidiram que o momento é de ação. Nunca antes na história foi revelada a magnitude do problema como agora. Aqueles que antes tinham que suprimir suas vozes podem agora ser ouvidos. De acordo com Tarana, “essa campanha nos capacitou a colocar o foco na vítima, nos dar uma voz, nos dar força, nos dar poder” e dizer não mais!

Segundo Oprah “quero que todas as garotas assistindo agora saibam que um novo dia está no horizonte! E quando esse dia finalmente chegar, será por causa de muitas mulheres magníficas, e muitos homens fenomenais também, que estão lutando para que se tornem as pessoas a liderar e nos levar a um tempo onde ninguém jamais deverá dizer “me too” de novo.”

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