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O Luxo Sem Monograma por Dani Mollo

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O Luxo Sem Monograma por Dani Mollo

Luxo é bem diferente de ostentação. A ostentação é feita pela pessoa possuidora de um bem de luxo que faz questão de exibí-lo de maneira excessiva. As marcas de luxo que trazem, principalmente em suas bolsas femininas, os monogramas fizeram sucesso instantâneo uns anos atrás, principalmente aqui no Brasil, pois ter uma bolsa com monograma significava status.

 

Na contramão desse movimento, e desde as suas origens em 1966 em Veneza, os fundadores da marca Bottega Veneta, Michele Taddei e Renzo Zengiaro decidiram não marcar os seus produtos com um logotipo. O nome aparecia discretamente e só no interior dos produtos. Diziam que é a individualidade que prevalece e não um nome de marca ou um logotipo que se tornaria símbolo de status.

 

O luxo, segundo a marca está mais relacionado com o que se mantém privado do que com o que se mostra. Enfatizam que estamos numa busca incessante pela excelência, prazer e qualidade para si e não para mostrar, se exibir, ostentar.

 

“Estilo tem a ver com confiança em si, qualidade e individualidade.”

Confesso que tive uma fase monograma, e não há nada de errado com isso! Porém em determinada época da minha vida, comecei a preferir as peças, e principalmente as bolsas que tinham uma tiragem limitada, portanto, dificilmente encontraria alguém usando exatamente a mesma bolsa que eu.

 

Começou a me incomodar, ao passear pelo shopping por exemplo, e encontrar 80% das mulheres com uma bolsa idêntica a minha. Conversando com as vendedoras dessas lojas de marcas de luxo, pedi a gentileza de me avisarem assim que chegassem nas lojas as bolsas de edição limitada, e então comecei a ficar mais confortável comigo mesma iniciando uma construção de identidade e estilo que fugia da mesmice e ia mais de encontro com a minha individualidade.

 

Se eu tenho dias, humores e fases que ainda quero me vestir ou usar uma peça que todos tem? Sim, mas afirmando cada dia mais minha individualidade prefiro usar e me vestir de acordo com o que sinto que me traduz melhor naquele determinar momento. E cada dia fui me apaixonando mais pela filosofia da Bottega Veneta e pela beleza e exclusividade de seus produtos.

 

Porém nos anos 80 e 90 a marca afastou-se de sua origem sempre pautada pela fabricação artesanal que utilizava materiais raros e pelo design inovador dos produtos. Isso aconteceu pois a família Moltedo comprou a empresa dos

fundadores e tentou seguir a tendência mundial da época utilizando materiais sintéticos e exibindo logotipos ostensivos.

 

Mas, em fevereiro de 2001, quando a empresa foi adquirida pelo Kering Group as coisas começaram a mudar. A presidência da Bottega Veneta foi confiada a Patrizio di Marco e, em junho desse mesmo ano, o diretor criativo alemão Tomas Maier integrou a casa. A apresentação da coleção primavera verão de 2002 foi um absoluto sucesso. E, desde então, a marca acrescentou produtos fascinantes às coleções como perfumes, pulseiras, óculos e sapatos, por exemplo.

 

E assim, a Bottega Veneta ia, cada vez mais, conquistando um cliente sofisticado e autoconfiante, já que Tomas Maier primava pelo uso de materiais de alta qualidade, execução artesanal das peças e design atemporal dos artigos. E nesse movimento, tentava retomar as origens sem logotipo da marca, utilizando a frase: “quando as nossas iniciais são suficientes.”

 

Lindo demais isso, muito forte ao me ver e um empoderador pessoal , com certeza muito determinante no sucesso cada vez maior da Bottega Veneta pelo mundo afora. A marca promove, para um grupo seleto de clientes, vários eventos como almoços, visitas guiadas a feiras de arte, desfiles e, ultimamente tive o grande prazer e privilégio de participar de um chá da tarde com preview da coleção Fall/Winter 2017, na loja do Shopping Iguatemi em São Paulo. A tarde foi um sucesso e ainda reverteram parte da renda das vendas desse dia para a Associação Santo Agostinho. A mesa montada estava impecável, muito bem decorada e recheada de doces e salgados delicados, bonitos e saborosos.

Nodini Bag

 

Realmente souberam retribuir o carinho, cada vez maior e mais fiel, da cliente brasileira. A “Nodini Bag”, acabou virando uma febre por aqui, colaborando para apresentar e divulgar ainda mais a marca Bottega Veneta no país. Acabo encontrando várias pessoas com essa bolsa, porém a variedade de cores oferecidas impede que seja comum. Eu, por exemplo, tenho a verde pois a maioria dos meus acessórios prefiro em cores mais vibrantes. E existem pessoas que possuem esse mesmo modelo de bolsa, porém em preto. Resumindo meu pensamento digo que, mesmo encontrando o modelo Nodini com maior frequência, a individualidade e estilo enaltecidos por Tomas Maier é preservada pela variedade de cores disponível, agradando assim desde uma pessoa mais clássica até a mais arrojada.

 

Achei fantástica a preocupação da marca em perpetuar as tradições que a definem, então a empresa fundou, no ano de 2006 em Vicenza, uma cidade que tive a oportunidade de conhecer próxima a Veneza, uma escola artesanal – La

Scuola della Pelleteria. Assim, a tradição vai passando de geração para geração preservando a parte artesanal tão enaltecida e valorizada pela empresa e pelos clientes cada vez mais felizes e maravilhados com a marca.

 

E cabe aqui uma colocação muito pertinente. No Brasil, temos artesãos e marcas extremamente preocupadas com a perpetuação dos moldes artesanais de manufatura de seus produtos. Temos em nosso país o material, a mão de obra e muito capricho, além de empresas e pessoas que já perceberam que o consumidor do futuro não que mais comprar por comprar, não vai querer mais adquirir um produto sem saber a sua procedência, o material utilizado, se houve

respeito aos colaboradores envolvidos e preocupação com o meio ambiente. Assim, trabalhos de macramê como o desenvolvido pela Luhome, por exemplo, provam que marcas de alto luxo que procuram limitar a produção ao seu país de origem ou adjacentes, já podem abrir os olhos para uma produção brasileira.

 

Entendo que, uma empresa familiar e com mais de meio século de tradição, como a Bottega Veneta, deve temer não encontrar continuidade da qualidade de seus produtos longe de seus domínios, porém, a estratégia de replicar a

tradição seguindo a risca os preceitos da fundação da marca, sua missão e qualidade me parece bastante promissora.

 

Não satisfeitos em agradar seus clientes e admiradores pelo mundo com seus produtos de altíssima qualidade, essa espetacular empresa oferece para aqueles que desejam uma imersão total no estilo de vida Bottega Veneta, suítes

exclusivas e únicas no St. Regis em Roma e Firenze o no Hotel Park Hyatt em Chicago.

 

É um luxo ou não é?

 

Tudo isso para dizer que a construção e a manutenção do sucesso de uma marca, depende muito do time de profissionais que nela colabora ao longo de sua história. Acreditar e focar nos princípios de qualidade e artesanais da marca num mundo cada vez mais robotizado, além de driblar os modismos efêmeros merece meu total apreço e admiração, como habitante deste planeta e também como cliente satisfeita e cada vez mais apaixonada. Bottega Veneta ti voglio bene.