por Dani Mollo, Slow Fashion & Beauty

Vivienne Westwood “COMPRE MENOS, ESCOLHA MELHOR, E FAÇA DURAR”.

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Vivienne Westwood  “COMPRE MENOS, ESCOLHA MELHOR, E FAÇA DURAR”.

Westwood nasceu Vivienne Isabel Swire na aldeia de Tintwistle, Cheshire em 8 de abril de 1941, a filha de Gordon Swire e Dora Swire.

Em 1958, sua família mudou-se para Harrow, Londres. Ela estudou na Harrow School of Art, mas de lá saiu dizendo: “Eu não sabia como uma garota da classe trabalhadora como eu poderia ganhar a vida no mundo da arte”. Vivienne trabalhou em uma fábrica e se tornou professora de escola primária. Durante esse período, criou jóias que vendeu em uma barraca na Portobello Road, famosa rua de Notthing Hill.

Casou-se em 21 de julho de 1962 com um vestido feito por ela mesma e no ano seguinte deu à luz a um filho, Benjamin Westwood.

Essa união durou até que Vivienne conhecesse Malcolm McLaren. Ambos mudaram-se para um apartamento e Vivienne começou a criar roupas enquanto Malcolm as concebia, nascendo uma parceria muito criativa. Malcolm começou a trabalhar como produtor da banda de punk rock Sex Pistols e seus integrantes passaram a usar as criações de Vivienne, o que promoveu muita visibilidade.

A parceria com McLaren durou por alguns anos, juntos fizeram várias coleções no início dos anos 80, período foi nomeado por Vivienne de “New Romantic”. No fim dos anos 80, início dos 90 Vivienne mudou a inspiração de punk para roupas que parodiavam a alta classe e projetou os famosos mini-crini, uma versão da crinolina amplamente utilizada na era vitoriana.

Nos anos seguintes, e principalmente na entrada dos anos 2000, Vivienne desenhou figurinos teatrais, colaborou com Nine West, expôs na Austrália onde seu acervo pessoal foi mostrado. Ainda projetou vestidos para a renomada King’s College London e em 2008 recebeu um doutorado honorário da Universidade Heriot-Watt por sua contribuição para a indústria e uso de têxteis escoceses. Neste ano também a personagem Carrie Bradshaw da famosa série Sex and the City usou um vestido de Westwood. Alguns anos mais tarde, trabalhando com Richard Benson se concentrou em não impactar negativamente o meio ambiente, utilizando materiais sustentáveis e poliéster reciclado em seus projetos.

Ao longo dos anos, tentou evitar, ou pelo menos desacelerar a expansão de seus negócios como forma de contribuir com questões ambientais e de sustentabilidade.

Vivienne Westwood viajou pro Quênia e voltou com uma parceria com a International Trade Centre, uma das agências da ONU, que tem como objetivo principal a geração empregos pra população de Nairóbi. Então a linha Ethical Fashion Africa Collection nasceu e todos os produtos que trazem a etiqueta desse projeto tem a certificação de que são produzidos com matérias-primas que vão de chinelos a restos de tecidos reciclados, transformados em produtos pra consumidores do mundo todo pelas mãos de mulheres que até então não tinham nenhuma fonte de renda.

Com esse projeto, Vivienne, na frase seguinte, descreve seus objetivos: “O que eu faço, produzindo bolsas, pode fazer a diferença. Esse projeto dá às pessoas o controle de suas próprias vidas – caridade não dá poder, faz o oposto, faz com que elas se tornem dependentes. Essas pessoas terão, portanto, uma forma de fazer dinheiro sem explorar o meio ambiente“.

Projetos como esse na África existem similares no Brasil, como por exemplo no Paraná o: Badu Design que tem como objetivo a transformação de resíduo têxtil em produtos sustentáveis e empoderamento de mulheres em vulnerabilidade social.

O Instituto Ecotece também desenvolve um trabalho lindo, fazendo a costura entre as marcas do mercado fashion e utilizando mão de obra formada, 95% de mulheres em situação vulnerável, vivendo em comunidades carentes ou em programas de saúde mental do Governo de SP. Também prestam consultoria a empresas que querem se tornar sustentáveis e a empresas que estão nascendo e já querem começar com o DNA sustentável.

Emocionada em pesquisar sobre esse instituto vejo similaridades fortes com o nosso projeto Fashion For Better, já que o Ecotece preza por buscar contratantes para essa mão de obra para que essas mulheres tenham sempre trabalho e o melhor ainda, pagamento justo. O Ecotece oferece orientação técnica a essa mão de obra, lapidando-a para que desenvolvam peças de excelente qualidade, inclusive para tirar a má impressão que a maioria das pessoas tem, de que essa mão de obra só faz coisas mal acabadas, feias e de pouca elaboração. Uma mão de obra assistida e supervisionada como essa e a de tantos outros projetos pode, sem sombra de dúvida, ser utilizada e contratada por uma grife de luxo internacional para fabricar seus produtos em solo brasileiro, por exemplo.

Iniciativas como esse projeto, estão cada vez mais comuns e atraindo “soldados” nessa luta para fazer da sustentabilidade algo melhor difundido, entendido e incorporado a indústria têxtil. Vivienne quer inverter o que temos: a moda hoje é uma das indústrias que mais polui e impacta no meio ambiente e ela quer que a moda salve o mundo e não o destrua.

Se envolvendo, cada vez mais, com questões ambientais e ligadas a sustentabilidade, Vivienne já apareceu em uma campanha publicitária da PETA para promover o Dia Mundial da Água, chamando a atenção para o consumo de água da indústria de carne. Tornou-se embaixadora de um fundo de energia limpa e anunciou seu apoio ao PartidoVerde da Inglaterra e do País de Gales mas acabou se desligando mais tarde.

Também criou um manifesto chamado “Active Resistance to Propaganda”, sugerindo que o ser humano repense seu consumismo, e isso há tempos atrás, no início dos anos 2000, seguindo a conduta que adotou quando tentou expandir seus negócios de forma mais consciente. E em suas palavras afirmou: “não me sinto a vontade para defender minhas roupas, mas se você tiver dinheiro para pagá-las, compre algo de mim.”

De acordo com uma reportagem de Revista Elle, Vivienne alerta para um importante dado: de acordo com os especialistas em previsões de impactos ambientais do Global Fashion Agenda e do Boston Consulting Group, os próximos 15 anos serão um verdadeiro desafio para a indústria fashion. Com o consumo com previsão de subir significantes 63% e alcançar o equivalente à produção de 500 bilhões de camisetas. Esse aumento de produção, sem preocupação das empresas com o impacto negativo no ambiente, é assustador. Parece que, depois de sofrerem sanções e exposição na mídia de forma pejorativa, as marcas despertam para esse problema, vide a marca Zara.

Outro ponto muito importante é perceber, o quanto o consumidor e suas escolhas podem afetar fortemente a indústria. Acredito que quando o consumidor entender o poder que tem nas mãos para levar a indústria da moda a repensar todo seu processo da escolha de fornecedores, escolha de materiais e fabricação, o mundo ganhará e muito.

Mas alguns consumidores, posso afirmar até que a maioria, ainda estão “crús” e ainda despreparados e acabam consumindo por impulso, por desejo, por modismo desperdiçando o poder que tem nas mãos de modificar, a tempo, o modo que uma das indústrias que mais afeta o meio ambiente funciona.

“Comprar menos e escolher qualidade significa que designers podem fazer moda melhor, não apenas tocar o mercado com marketing e interesses comerciais”, disse Vivienne que detectou que o consumidor tem que ser parte ativa nessa mudança de mentalidade e comportamento.

Em busca de um consumidor engajado e consciente, o papel de ícones ligados a moda se faz muito importante. Por exemplo quando Anna Wintour, a famosa editora chefe da Vogue americana e até inspiração para a personagem do filme “O Diabo veste Prada”, citou em um editorial o tema ecológico vinculado a moda, muitos consumidores de moda e estilistas sentiram a importância e o peso do tema e, mais, perceberam que a união de sustentabilidade a moda não poderia ser ignorada. Anna disse: “O fashion não é olhar para trás, é olhar para frente.”

Vivienne Westwood deixou de lado o uso do couro animal e sua super atitude, levou a ideia ao mercado de luxo, já que suas peças são objetos de desejo de muitas mulheres, e sua postura pode afetar e influenciar positivamente as consumidoras e se engajarem, ou pelo menos, abrirem os olhos pra o tema.
Apesar da sustentabilidade, que no mundo da moda significa uma busca de equilíbrio entre a natureza e o mercado de consumo, e a constante pesquisa por materiais alternativos que possam substituir tecidos “vilões”, estar recentemente em maior evidência, Coco Chanel já dizia não se conformar com a troca de estilo a cada estação, afirmando: “A atitude denota muito dinheiro, mas pouco estilo”, dizia Chanel.
Da tradicional Coco Chanel a eterna punk da moda Vivienne Westwood, o que se tem em comum é a preocupação em buscar alternativas para que a indústria da moda, em galopante crescimento, e o meio ambiente façam as pazes e unam forças para preservar e nossa casa, o Planeta Terra.

Fontes:
www.wikipedia.com
www.blog.chicorei.com
www.vogue.globo.com
www.conexaoplaneta.com.br
www.elle.abril.com.br
www.instagram.com/viviennewestwood/