Então, por que mudar?

Então, por que mudar?

Água é vida! Assim iniciou o discurso de Ladonna Brave Bull Allard, fundadora da Rock Standing, na abertura da conferência do Study Hall, em Los Angeles. Destinada a educar e informar sobre a sustentabilidade e transmitir a mensagem de que é possível construir uma linha de roupas sem destruir as pessoas ou o meio ambiente. O Study Hall estava repleto de novas informações sobre: Como podemos construir uma linha de roupas sustentável! Idealizado por Céline Semaan, curadora e fundadora do The Library Study Hall ™ e Slow Factory. O fórum esteve em associação com o MIT Media Lab, o G-Star RAW & Ace Hotel e orbitou o tema do negócio de denim, um dos piores poluidores da indústria da moda.

Os dados apresentados mostram a indústria da moda como consumidora de pelo menos 425 milhões de galões de água por dia (apenas na Índia) e responsável por cerca de 20% de toda a poluição industrial em rios e oceanos. Além disso, ao contrario do que muitos imaginam, o seu maior consumo acontece na lavagem dos têxteis. Cada vez mais, percebemos que todos nós precisamos agir e fazer acontecer a mudança. As vezes nos questionamos como alterá-lo e quem pode ajudar a facilitar essa mudança. Afinal, lidamos com um sistema grande e profundamente complexo, onde o negócio é constituído por uma vasta e espalhada rede de empresas, todas funcionando dentro de um sistema bastante arcaico. 

Com a conferência, algumas respostas foram dadas ao mostrar pessoas, empresas e tecnologias disponíveis para iniciativas de mudança. Utilizando o denim como exemplo por ser um item tão popular e tão poluente, nosso apetite rápido as tendências e a nossa ganância, em geral, levou aos problemas que vivemos hoje . Agora, o que fazer?

Para Lauren Fay, diretora executiva da Fashion Revolution, uma empresa que visa unir pessoas e organizações para trabalhar em conjunto para mudar radicalmente a maneira como nossas roupas são produzidas e consumidas. Acredita que a transparência equivale à responsabilidade e que tecnologia, governo local, grupos comunitários, mídia social, mídia e educação são a chave para quebrar esse ciclo de irresponsabilidade. Com isso, disponibilizam, em seu site o Fashion Transparency Index uma lista de 150 das maiores marcas e varejistas do mundo, avaliados em suas políticas de cadeia de fornecimento e seu impacto social e ambiental.  

Mas e as fábricas que não são monitoradas? O problema com a atual cadeia de suprimentos é que, longe de ser transparente, é um pouco como tentar ver através de uma parede de tijolos. E isso não acontece apenas em lugares como a China ou Bangladesh. “Se olhar para o índice global de escravidão de 2018, 40,3 milhões de homens e mulheres foram vítimas da escravidão moderna. E os números são muito mais altos no PIB ou nos países desenvolvidos do que se pensava inicialmente. Há exemplos dessas incidências em Los Angeles, por exemplo”, diz Lauren Fay, apoiando a sua teoria: não é onde você faz, é como você faz.

Uma forma de trazer a transparência nas cadeias de suprimentos é através da tecnologia, com isso Sam Radocchia fundou a Chronicled, que utiliza o Blockchain, um banco de dados aberto e descentralizado que registra todas as transações feitas envolvendo valor; seja dinheiro, propriedade ou bens. A razão, pelo qual Blockchain é importante ao usar um computador ao invés de pessoas. “Houve incidências em que os governos entraram em um banco de dados e os relatórios de auditoria foram alterados. Então é difícil determinar o que é preciso. Essa tecnologia impede isso”, explica Sam.

Infelizmente, muitas fábricas simplesmente não se importam. Pensando nisso Ben Skinner, criou a Transparentem, uma unidade discreta, sem fins lucrativos, que mostra as cadeias de suprimento e estimula a erradicação de abusos humanos e ambientais.  Funciona notificando as fábricas, depois as marcas que elas servem e depois o resto do mundo. Informam os conselhos, investidores e jornalistas com a mensagem básica: “Você pode não estar interessado em transparência, mas a transparência está interessada em você ”. Alguns anos atrás, as marcas tinham controle total sobre seus consumidores e as mensagens que eles escolhiam para contá-las. Agora, a mudança de poder mudou, passou para os consumidores, que possuem a voz e as plataformas para investigar.

É o que mostra Maya Penn de apenas 18 anos, uma ativista global, empreendedora social, cineasta e autora de Simon & Schuster; segundo ela, para entender os problemas sociais que afetam o sistema, precisamos nos questionar: O que tem no seu guarda-roupa? Que roupa você está comprando? Qual é o ciclo de vida dessas roupas?  A educação é uma grande parte disso e podemos encontrar muitas empresas fazendo coisas incríveis e que adotaram um sistema circular, como a The New Denim Project, que  faz um pouco de tudo: eles criam fios a partir de resíduos, livres de produtos químicos e corantes, usando o mínimo de água e energia na produção. Também fornecem seus tecidos para outras empresas e fazem parceria com grandes varejistas como West Elm, Wholefoods ou Barneys New York . Afinal, para Maya  “ Se você começar a fazer perguntas, ler os rótulos, está tudo lá. Quanto mais você fizer isso, quanto mais você enviar e-mails e falar sobre isso nas mídias sociais e falar sobre isso com seus amigos, você os deixará ansiosos. E nós realmente podemos fazer a diferença.” Isso mostra o quanto o consumidor pode ser poderoso.

A indústria da moda é sistema antigo, que ainda proporciona condições de trabalho pavorosas e altíssima degradação ambiental. É a indústria que se beneficia da escravidão nos campos de algodão à escravidão nas fábricas de costura até hoje. Então, por que mudar? Os números do consumo da indústria caíram para US 2,4 trilhões / ano, de acordo com o relatório da MicKinsey de 2017. As vendas estão caindo nos países de maior consumo e os mercados mais novos apresentam novos desafios para as marcas. Graças à internet, não são mais os designers que dizem aos clientes o que eles querem. A roupa precisa trazer um significado mais profundo, uma história melhor contada para ser atraente. Graças a esse movimento em direção ao significado, a moda sustentável está finalmente começando a sair do “gueto verde” para o público geral. 

*Foto retirada da internet

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