Chega ao fim da Semana de Moda em Milão, premiando a Moda Sustentável

Chega ao fim da Semana de Moda em Milão, premiando a Moda Sustentável

Mais uma Semana de Moda se encerra, dessa vez em Milão, no domingo, 23, de setembro. Mas, diferentemente (ou igualmente) pois a maioria das semanas de moda, abordaram um tema em comum: a sustentabilidade na moda. O mesmo aconteceu, com o segundo Green Carpet Fashion Awards ou o Oscars de Moda Sustentável evento, promovido pela Associação de Moda Italiana (CNMI ), pela consultoria de sustentabilidade Eco-Age e pelo programa Made In Italy. O intuito é  promover não apenas o país, mas também o artesanato. Reunindo celebridades como Julianne Moore, Colin Firth e Cate Blanchett, que se juntam com ícones da moda como Anna Wintour e Cindy Crawford como forma de celebrar e premiar reconhecendo os esforços extraordinários e ao mesmo tempo destacando a ideia que a sustentabilidade deve começar desde a primeira etapa de todo o processo. Com  isso 14 prêmios feitas de ouro, mas claro eticamente extraído e certificados pela Fairmined.

Ainda existe equívocos sobre os prêmios entregues, pois são tratados como uma alternativa ao tradicional red carpet e com a fala da fundadora do  Eco-Age, Livia Firth :“Espero que em breve sejamos apenas o Oscar da moda.” Quem sabe fazendo parceria, como por exemplo, o Conselho de Estilistas da América, o British Fashion Council,  Federação da Alta Costura e da Moda, dentre outros, isso se torne realidade. A organizadora é defensora da moda ética, pensa em unir como estratégia a utilização do glamour com a sustentabilidade. Para a Itália, os prêmios são visto como UP para a Semana de Moda de Milão tanto  que a  Piazza della Scala estava fechada para a noite e transformada em jardim – com responsabilidade, é claro! Um tapete verde , misturado com  impressão de flores e beija-flores. Tudo isso, com mais de 1.700 metros quadrados de nylon regenerados a partir de redes de pesca descartadas e outros resíduos,  e sem falar da quantidade de objetos  alugados ao invés de serem construídos.

Vale ressaltar que a ética da indústria italiana da moda de luxo tem sido questionada, a poucos dias depois de uma reportagem do New York Times, feita agora,  20 setembro, mostrando o resultado de uma investigação e relatando como cerca 60 trabalhadores domésticos, a maioria do sexo feminino, da região de Puglia, na Itália,conhecida por ser mais pobre, estavam sendo tercerizados por fábricas licenciadas para costureiras trabalharem em casa, e faziam roupas de luxo sem contratos ou seguro, às vezes ganhando apenas um euro por hora, enquanto trabalhavam confeccionando roupas que custavam milhares de libras.  O que afeta diretamente a confiança com slogan “Made in Italy” e mais uma vez, mostra a necessidade das marcas assumirem uma responsabilidade proativa na supervisão de suas cadeias de suprimentos.

Em resposta o presidente da CNMI, Carlo Capasa, foi direto ao abrir a noite dizendo estar “entristecido e preocupado” com o relatório, afirmando no The Guardian,  que “o problema é maior do que o da Itália e sim , este é o mundo’“, até  jogou de volta a culpabilidade específica da Itália, argumentando que o problema dos trabalhadores irregulares era maior em Nova York, por exemplo. Capasa continua convencida de que a liderança em sustentabilidade é essencial para ajudar o país a recuperar a pole position como a capital de moda mais dinâmica.  E Firth afirmou  “A sustentabilidade não é apenas a pegada ecológica da moda, mas também a impressão da mão – o impacto social, que é igualmente importante. Se você abordar o impacto social da moda, irá fundamentalmente mudá-lo para melhor. ” Os participantes e vencedores dos prêmios, reconheceram que a gigante indústria da moda precisa trabalhar para corrigir seus erros do passado.

Agora vamos alguns dos vencedores da noite,  que durante a cerimônia teve o impacto social como questão. Começando com Cameron Russell, que liderou uma revolta de modelos contra assédio e abusos, recebendo o prestigiado prêmio The Changemaker Award:. Também foi vencedora a  Sinéad Burke,  por “mudar a conversa de moda para sempre” por ter nanismo, faz campanhas para tornar a moda mais inclusiva impulsionando seu ativismo, recebeu o prêmio The GCFA Leaders Award “A influência da moda molda a cultura”, ela perguntou à platéia:”O que você fará com o seu privilégio de tornar este espaço mais acessível? 

A modelo Elle Macpherson, que levou para casa o The Wellness Award,  novo este ano e reconhece a importância do bem-estar humano desempenha na sustentabilidade ambiental.  “Para cuidar do mundo, precisamos também cuidar de nós mesmos”, disse ela, Recebeu o  The Visionary Award, entregue por Pierpaolo Piccioli, a editora internacional da Vogue Suzy Menkes, por apoiar as pessoas que estão por trás da moda, compartilhando suas histórias, indo desde os fornecedores e artesãos do mercado de luxo.

Concorrendo com outros designers ao The Franca Sozzani GCC Award for Best Emerging Designer Gilberto Calzolari foi quem levou o prêmio pelo seu vestido feito com sacos de café. Fabricados no Brasil, Calzolari comprou os sacos na Itália e usou para criar um look sustentável para a noite de abertura do Festival de Cannes. Em maio passado fez questão de usar o mesmo vestido Armani Privé que usava para o Globo de Ouro em 2014, escolheu outro visual do mesmo ano para domingo à noite: um macacão marfim com uma capa combinando com um coração vermelho enorme, ambos da coleção Green Carpet de Stella McCartney em 2014 e confeccionados com tecidos reciclados.

Os prêmios também homenagearam técnicas de produção sustentáveis, assim a atriz Cate Blanchett,  que nos relembra um fato protagonizado pela atriz e que aconteceu no Festival de Cinema de Cannes em maio passado, tudo por exibir no tapete vermelho, o mesmo vestido de renda preta Giorgio Armani, usado ao ganhar o Globo de Ouro em 2014.   Afirmando na época :”Parece intencional e ridículo que tais roupas não sejam amadas e renovadas por toda a vida”. Assim, não foi diferente a escolha de outro visual do mesmo ano para domingo à noite, ambos da coleção Green Carpet de Stella McCartney de 2014 e confeccionados com tecidos reciclados. Ela foi responsável ao homenagear produtores de lã australianos Woolmark com o Eco Stewardship Award: disse que os prêmios“ honram aqueles que tomam sua fila do nosso planeta, uma abordagem que é tão importante para nossa futuro”. A Frumat Leather ganhou o Technology and Innovation por um couro feito a partir de resíduos de maçã que é “de tal qualidade e apelo que pode substituir o couro animal”, 

Teve Julianne Moore entregando o The Art of Craftsmanship para Ferruccio Ferragamo, reconhecendo seu constante esforço ao buscar inovação e uso de materiais sustentáveis, diminuindo assim seu impacto de produção, assim subiram ao palco os para 20 sapateiros da  Salvatore Ferragamo usando seus tradicionais casacos brancos de sala de trabalho e se juntaram ao presidente da empresa e CEO Ferruccio Ferragamo no palco para aceitar o prêmio. “Tanto na família quanto na empresa, sempre acreditamos em responsabilidade e inovação, e na sustentabilidade como um desafio necessário e positivo”, disse Ferragamo, acrescentando que queria recuar um pouco para que os artesãos pudessem ser celebrados. . “Eu gostaria de ter seus pensamentos apenas para eles, porque é graças a eles e a todas as pessoas que não podem estar fisicamente aqui que honramos o que fizemos em Ferragamo.”

E com a ex modelo Cindy Crawford a quem chamou “amiga querida, ícone da moda e lenda. Por sua liderança em defender uma cultura que coloca as pessoas e seus bem-estar em seu centro, Donatella é uma líder de mudança e um exemplo para todos nós. ” premiando Donatella Versace, que levou para casa o The CNMI in Recognition for Sustainability Award com o compromisso da Versace de ficar livre, assim como a criação de espaços verdes de varejo e tentativas em criar uma cultura empresarial centrada nas pessoas, lembrando que a estilista aderiu ao fur free, eliminando o uso de pele animal nas suas criações.  Muitos dos discursos da noite tinham a intenção de inspirar os membros da audiência a pensar sobre suas próprias práticas diárias, e claro Donatella não foi exceção. “Eu sei que isso parece óbvio, mas estamos ficando sem tempo para salvar nosso planeta”, disse ela. “Se todos fizerem algo para contribuir, as coisas melhorariam dramaticamente”.

Em conjunto Renzo Rosso e Diego Della Valle, ganharam o The CNMI in recognition for Community and Social Justice por reinvestir em comunidades, incluindo aquelas devastadas por terremotos, de acordo com a Eco-Age. “Pessoas como todos nós destruíram o mundo. Mas agora, estamos tentando melhorar para nossos filhos”, disse ele, segundo o The Guardian

A organizadora Fith acredita que a maior barreira à sustentabilidade continua sendo a fast fashion, que “causa devastação na indústria. Há uma razão para os proprietários de lojas como a Zara serem multimilionários, e isso é que compramos muita porcaria e compramos sem pensar. ” A moda pode ser muito bonita e lucrativa, mas fazer com um propósito real  é importante, talvez seja provável não conhecermos vários dos vencedores, mas homenagear já é um possível  alcance de uma posição seu nome aparecer em escala global.

*Foto retirada da internet

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