O silêncio da mídia fashion

O silêncio da mídia fashion

No inicio do ano, em 13 de janeiro, milhares de trabalhadores têxteis, em Bangladesh, iniciaram uma greve para protestar por salários mais altos. O movimento levou  52 fábricas a pararem as suas atividades. O líder sindical por detrás dos protestos, Aminul Islam, acusou os donos de fábricas de recorrerem à violência contra manifestantes. Como também acusam a polícia, por responder de forma violenta com uso de canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar uma multidão de trabalhadores em Savar.

A greve foi desencadeada pois, o governo de Bangladesh anunciou um aumento do salário mínimo de cerca de 50% nos salários para cerca de 8000 takas (83 euros) por mês. No entanto, trabalhadores intermédios reclamaram por ter considerar um aumento ridículo. Foram 50.000 trabalhadores de vestuário, por quase duas semanas, bloqueando estradas, queimando pneus e fechando fábricas.

De acordo com o relatório da Oxfam , mulheres em Bangladesh e no Vietnã que fazem roupas para a indústria de moda australiana estão passando fome por causa de salários baixos. A pesquisa foi realizada com um grupo de 470 trabalhadores de vestuário empregados em fábricas que fornecem para marcas como Big W, Kmart, Target e Cotton On, e descobriu que 100% dos trabalhadores pesquisados em Bangladesh e 74% no Vietnã não conseguem sobreviver.

Sim, nove em cada dez trabalhadores do setor de vestuário em Bangladesh e mais de dois terços dos que trabalham no Vietnã não conseguem se sustentar, devido aos salários baixos em torno de  51 centavos por hora, segundo um relatório da Oxfam . Não acontecendo as mudanças reais, a indústria da moda alimenta e perpetua um sistema de pobreza, segundo Joy Kyriacou, advogado da Oxfam Austrália. “Continuaremos a ver mulheres que estão a ficar sem comida e pulam refeições todos os meses, mulheres que não podem morar com os seus filhos porque não podem ter filhos”.

Kyriacou disse que, embora marcas de moda como Cotton On, Target e Kmart tenham assumido compromissos para pagar um salário digno, o progresso para melhorar as condições da cadeia de fornecimento na indústria de moda australiana de US $ 23 bilhões permaneceu lento.

Os fabricantes de roupas de Bangladesh,  são o segundo maior exportador de vestuário do mundo, mesmo após violentos protestos, concordaram em aumentar os salários em 6 dos 7 níveis salariais em janeiro, mas deixaram o salário mínimo inalterado em 8.000 taka (US $ 95) por mês. E é sempre bom lembrar que esse valor de salário, não significa que é um salário digno, este que seria o dinheiro suficiente para cobrir as necessidades básicas, como alimentação, habitação, educação e saúde.

O estudo mostra que apesar do compromisso das empresas australianas de melhorar os direitos dos trabalhadores, eles pressionam os donos de roupas a reduzir os salários usando práticas como negociação de preços e contratos de curto prazo, conhecido como “sistema de exploração entrincheirada“. Como resultado, os trabalhadores, a maioria mulheres, muitas vezes lutam para colocar comida suficiente na mesa e não podem pagar por tratamento médico quando estão doentes, disse a Oxfam.

Mas a pergunta que fica, quantos veículos de moda noticiaram os violentos protestos de trabalhadores? A mídia de moda ocidental exerce incrível influência na conscientização e compreensão do público sobre responsabilidade social do consumidor e da empresa. Sua escolha em ignorar esses protestos fala muito sobre os limites da “moda ética” – um movimento cujas preocupações não se estendem a trabalhadores da moda politicamente capacitados ou eventos que incrimina marcas de mercado de médio e grande porte. O silêncio da mídia fashion não é apenas irresponsável; é antiético.

 

*Foto retirada da internet

 

 

 

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