Realidade virtual, para mostrar o problema real

Realidade virtual, para mostrar o problema real

O lado negro da moda chega ao Festival de Veneza, na sessão de Realidade Virtual, o X-Ray Fashion. Na tentativa de destacar os impactos dessa indústria  e enfatizar as abordagens para torná-la sustentável, a Connect4Climate do Banco Mundial trabalhou para produzir uma nova experiência: colocar o consumidor mais perto de toda a cadeia produtiva e assim provocar a discussão sobre o tema. Dirigido por Francesco Carrozzini, o projeto aponta os holofotes para algumas das questões mais importantes relacionadas a esse mundo; dos venenos poluindo os cursos dos rios, o uso de produtos químicos tóxicos nos tecidos até as roupas abandonadas que invadem os aterros sanitários.

Sabendo que o consumidor médio compra 60% a mais do que há 20 anos, o projeto mostra o alto custo deste aumento: 20% das águas residuais globais vêm da produção de roupas, enquanto a agricultura de algodão é responsável por quase um quarto dos inseticidas do mundo. As cores vibrantes e impressões que usamos também têm um preço. O tingimento têxtil é o segundo maior poluidor de água limpa do mundo, após a agricultura. A pressão para distribuir novas coleções com baixo custo é particularmente ruim para o planeta. Cerca de 85% dos têxteis são enviados para aterros ou incineradores e, incrivelmente, 60% dos têxteis são descartados no prazo de um ano. Tornar a moda sustentável é um passo necessário para ajudar a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e agir sobre a mudança climática. 

Criado pelo grupo dinamarquês MANND, a sessão permite acompanhar, em um espaço de 49 metros quadrados, a vida de uma peça de roupa, desde a produção até as passarelas, a distribuição para o consumidor até o fim da sua “vida útil”. Ao todo são sete cenas de imagens ao vivo, em 360 graus. O filme é reproduzido no ambiente que nos permite tornar parte da representação, explorar o espaço e experimentar os efeitos multissensoriais que expõem o calor, vento, o cheiro e o movimento do terreno. Começa com um desfile de moda onde os espectadores se misturam aos modelos sob a luz do flash; durante o show o narrador, fala de uma pessoa que sobreviveu ao desastre do Rana Plaza, e explica que em algumas partes da Ásia, a cor do rio prevê as tendências da moda.

“Eu trabalhei na indústria da moda por muitos anos, ignorando as conseqüências do nosso trabalho ou negócios no ambiente e nas pessoas em todo o mundo. Aceitei dirigir o filme para aprender mais sobre o impacto ambiental da moda que eu não via há tantos anos”. O diretor foi imediatamente atraído pelo projeto devido ao alto potencial de experimentação, à forte mensagem política e à realidade virtual. Para Giulia Braga, do Banco Mundial, “a realidade virtual gera empatia e é uma ferramenta poderosa para transmitir mensagens que podem inspirar mudanças positivas”. 

Sempre lemos e acompanhamos as noticias sobre a moda e seu custo enorme para as pessoas e o planeta, mas poucos de nós “vive” todo o processo completo de uma roupa ou tecido. Da sua criação até o seu descarte, da poluição da água ao uso de produtos químicos tóxicos, as roupas e acessórios que usamos danificam nosso mundo. O programa Connect4Climate apoia a Moda Sustentável e assim, promove soluções ecológicas ao destacar os efeitos que a produção em massa e consumo têm no planeta. Precisamos reduzir o desperdício, reciclar mais, reutilizar recursos e aplicar uma economia circular pensando no setor. A indústria da moda precisa repensar sua função e os impactos ao meio ambiente. Urgentemente!

*Foto retirada da internet. 

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