VESTIR-SE PARA RÓTULOS SUSTENTÁVEIS

VESTIR-SE PARA RÓTULOS SUSTENTÁVEIS

Dia 8 de março é o Dia Internacional da Mulher e além de celebrar é importante levantar questões, pensando nisso a  Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), em Geneva, realizou uma semana inteira de março, com uma série de eventos, um deles foi o “Vestir-se para rótulos sustentáveis“, este que trouxe uma perspectiva africana ao debate sobre padrões de sustentabilidade voluntária ou VSS, empoderamento e comércio das mulheres e ligações com indústrias criativas e bio-comércio.

A primeira questão levantada no evento foi Como como apoiar uma indústria de moda global que não agride o planeta nem as pessoas que nela trabalham – e desenvolver rótulos para provar isso ?  Afinal, as mulheres são as principais consumidoras, como também representam o quadro maior de funcionárias nesse setor, ou seja, são 80% das 300 milhões de pessoas empregadas na indústria da moda global. E mesmo assim, não ocupam os cargos de liderança nas empresas. Segundo uma pesquisa de 2015 da Business of Fashion com 50 grandes grifes de moda revelou que apenas 14% eram de uma mulher.

Para os padrões de sustentabilidade voluntária ou VSS , devemos avaliar se um produto é produzido de maneira sustentável, pois esses padrões são importantes quando se aplica uma lente de gênero. Para a UNCTAD “ O rótulo de sustentabilidade não deve ser apenas um argumento de marketing para as empresas, mas uma ferramenta para o desenvolvimento, garantindo que todos tenham um acordo justo e que ninguém seja deixado para trás”, explicou a Secretária-Geral da UNCTADIsabelle Durant.

Por isso, segundo Durant a Rotulagem transparente e a VSS podem ajudar a gerenciar as dimensões sociais e éticas de tais desequilíbrios. Tanto que mesmo sendo recente a inclusão de questões de gênero já mostrou resultados promissores. “Os padrões de gênero precisam ser incorporados nos esquemas de VSS para que possamos compreender plenamente o potencial dos rótulos de sustentabilidade para inclusão de gênero”, afirmou Durant, referenciando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável5, 12, 14 e 15 como considerações cruciais.

E, são os consumidores o setor mais conscientes da sustentabilidade nos itens de moda. De acordo com o relatório 2018 Sustainable Fashion Blueprint , quase 60% dos consumidores verificam se os itens possuem um selo de sustentabilidade. E esse efeito está acontecendo não apenas em nações desenvolvidas, mas também em países em desenvolvimento, como México, China e Índia.

Mas, vale ressaltar que o termo Sustentabilidade significa coisas diferentes para diferentes consumidores, tanto que “Obter uma etiqueta sustentável não resolve todos os problemas”, disse Durant. Enquanto os rótulos sustentáveis ​​possuem um grande potencial, eles também levantam vários desafios.  O tamanho do mercado, a dimensão de gênero e o impacto ambiental da indústria da moda merecem atenção das iniciativas de rotulagem, mas podem prejudicar os pequenos produtores e empresas, especialmente nos países em desenvolvimento.

Com a certificação podendo ser muito cara e segundo Sergi Corbalán, diretor do Escritório de Defesa do Comércio Justo: “ Os consumidores são confrontados com muitos rótulos, informações e alegações infundadas (sustentabilidade) para tomar decisões.  Por isso, precisamos de legislação para garantir o mínimo (padrões). Mas os padrões por si só não são suficientes. Precisamos de uma boa combinação de medidas voluntárias e vinculantes para garantir que a cadeia de fornecimento seja justa e sustentável ” .

Para este fim, as empresas de comércio justo são melhores em obter o equilíbrio de gênero, disse Corbalán e  referenciando o Women in Business Report 2017 , observou  que, globalmente, apenas 12% dos cargos no conselho são ocupados por mulheres, em cargos de diretoria de empresas de comércio justo são ocupados igualmente por homens e mulheres, em 51%. Apenas 9% dos principais executivos globais são mulheres, enquanto nas empresas de comércio justo é de 52%. Um total de 24% dos cargos de liderança sênior em negócios são ocupados por mulheres e em empresas de comércio justo o número é de 54%.

UNCTAD também desempenhou um papel de liderança no trabalho em questões de política de VVS, principalmente na arena do biocomércio. Também trabalhou em questões de moda sustentável por meio do Programa de Economia Criativa da UNCTAD , que ajuda países em desenvolvimento a promover indústrias criativas, incluindo moda, para o desenvolvimento socioeconômico sustentável.

*Foto retirada da internet

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